Cresce mercado de agtechs que buscam soluções sustentáveis para a agricultura

Cada vez mais, avanço do agronegócio dependerá de propósito e tecnologias adaptadas às mudanças climáticas

Setembro 9, 2021.

Por Renato Seraphim

Desde outubro do ano passado, em meu tempo fora de grandes organizações, tenho me dedicado a estudar startups e buscar informações e conhecimentos sobre elas, especialmente as agtechs.

Foi assim que cheguei aos primeiros 13 nomes de empresas que acreditava que, por sua tecnologia disruptiva, time preparado e processos bem organizados, teriam destaque em 2021.

E, felizmente, boa parte delas registrou crescimento importante e até a entrada de capital. Falo da lista composta por: Agristamp, Atomic Agro, Bart Digital, Digifarmz,  Solubio, Flex Interativa, GoFlux, Grão Direto, InovaFarm, Safetrace, Seedz, TerraMagna e Traive.

No ano de 2020, o Brasil teve um crescimento exponencial em termos de ambiente de negócios e proliferação de startups. Segundo o ranking da startupBlink, figuramos na 20ª posição nesse aspecto. Em 2019, estávamos na 37ª colocação. 

Na América Latina, o Brasil é o primeiro dos países, por quesitos como: quantidade e qualidade das startups e maturidade do ambiente de negócios. E, nesse ambiente, sem dúvida, as agtechs têm lugar de destaque.

Global Startup Ecosystem Index (Fonte: Ranking startupBlink)

Dentre as agtechs, a diferenciação mais comum é feita em três segmentos: o antes, dentro e depois da porteira. Hoje, temos 199 agtechs atuando antes da fazenda, 657 dentro da fazenda e 718 depois da fazenda, totalizando 1.574 agtechs, conforme o Radar Agtech Brasil 2020/2021, da Embrapa.

(Fonte: Radar Agtech Brasil 2020/2021)

Mas, para além dessa segmentação, o que tem me chamado a atenção são as startups do agro sustentável. Agora, com o novo desafio em estruturar uma empresa de bio soluções, que se chamará Valeouro Biotec, estou tendo a oportunidade de conhecer com mais profundidade algumas dessas empresas para promover sinergias, co-desenvolvimento e inclusive acesso ao mercado.

Revolução dentro da porteira

No Brasil, fomos capazes de criar um modelo sustentável e competitivo de agricultura tropical sem paralelo no mundo, com uma agricultura baseada em ciência, inovação e empreendedorismo. E, com o crescimento e a necessidade de alternativas sustentáveis, tenho certeza de que também seremos referência na busca de bio soluções. 

Ainda segundo o Radar Agtech Brasil 2020/2021, das 657 agtechs dentro da fazenda, 32 estão buscando desenvolver justamente o controle biológico e o manejo integrado de pragas.

Essas empresas apresentam soluções desde a fabricação de microrganismos pelo próprio produtor até soluções como scouting e diagnóstico para controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

De olho na Gênica

Uma das startups de destaque, na minha opinião, é a Gênica, criada por Fernando Reis — empreendedor que ajudou a fundar outra grande empresa no Brasil, a Fast Agro — e que agora tem a seu lado também o Prof. Dr. Carlos Labate, da Esalq-USP. 

A união de um visionário junto a um profundo conhecedor técnico, criaram uma empresa com forte foco em inovação e geração de valor para o agronegócio. 

Que busca: 1) cultivar relações que têm como base a igualdade e empatia; 2) encarar que os resultados vêm de ações; 3) defender a transparência e confiança nos clientes, fornecedores e colaboradores e 4) manter a inquietude, para melhorar a cada dia. 

Esses quatro valores são essenciais para quem quer quebrar paradigmas e oferecer uma alternativa mais sustentável para agricultura brasileira e isso chamou a minha atenção. 

Hoje a Gênica atua em todo o território brasileiro, atingiu a marca de 100 colaboradores e inaugurou em 2021 seu Centro de Inovação, sediado no Parque Tecnológico de Piracicaba (SP), com foco em P&D de bioprodutos, desde a descoberta, passando pela formulação e melhorias. 

Sua presença está consolidada nos mercados de grãos e cana-de-açúcar, e uma expansão está em curso para hortifrútis e café. Ao todo, a empresa tem 17 produtos no portfólio, e sete deles foram lançados em 2021 — indo do controle biológico e da inoculação de culturas até a nutrição, proteção e equilíbrio para as plantas.

Com a proposta de estimular ainda mais o uso de bioinsumos, a Gênica vai lançar, em breve, o Sistema REGENERA, que funciona sobre os pilares de: diagnóstico da área (histórico + análise genética do solo); definição da ferramenta a ser utilizada (combinação de organismos, formulação, isolado); posicionamento (timing, modo de aplicação, associações); frequência (inundação, inoculação) e tecnologia de aplicação (horário, vazão, adjuvante etc).

Um forte time de pesquisa e desenvolvimento aberto à colaboração ajudam a explicar, por fim, o sucesso da empresa, sediada no Vale do Piracicaba, ao lado de:

  •  Instituições de pesquisa mundialmente reconhecidas por suas estruturas e pesquisadores, como Esalq-USP, Unicamp, Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e unidades da Embrapa;
  • Investidores especializados no desenvolvimento de agtechs;
  • Empresas que atuam e operam diretamente do AgTechValley.

Na minha visão, são esses fatores juntos que têm garantido acesso ao mercado à startup, que já atende clientes importantes como Produtécnica, Agrex, Usina São Martinho, Coplana, Agrofel e Via Fértil.

Otimista com o futuro sustentável, aproveito para deixar anotadas minhas apostas nessa categoria, que além da Gênica, tem destaques como: Agrymet, BRCarbon, Drop, E-ctare, Geplant, Hakkuna, Implanta It Solutions, SmartBreeder, Inceres, Wolk, Shooju, Leigado, e-Trap, Forlidar, Agro2businness e Nano Scoping.

Que no ano que vem possamos olhar para elas e refletir sobre o quanto avançaram!

Renato Seraphim, 50 anos, é engenheiro agrônomo graduado pela Unesp de Jaboticabal (SP) e pós graduado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No agronegócio, fez especializações junto ao Programa de Estudos dos Sistemas Agroindustriais (Pensa-USP), à Fundação Dom Cabral (FDC), Insead Business School e Perdue University. Com 25 anos de experiência no setor, tem passagem por empresas de defensivos agrícolas e biotecnologia. 

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem necessariamente a visão do AgTech Garage News.

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Maurício Moraes

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Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

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Dirceu Ferreira Junior

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COO do PwC Agtech Innovation e sócio, PwC Brasil

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