Junho 22, 2021.
Por Marina Salles
A agtech paulista InCeres, plataforma de gestão agronômica e agricultura de precisão, avaliada em R$ 28 milhões, anunciou hoje um aporte de R$ 2 milhões recebido do investidor pessoa-física Leonardo Maggi Ribeiro, que a coloca no caminho para uma rodada de série A mais adiante, de acordo com seu fundador e CEO, Leonardo Menegatti (na foto acima).
A trajetória dos dois Leonardos se cruzou ainda em 2018, quando Menegatti fazia um pitch sobre a InCeres e conheceu o xará da família Maggi. Aficionado por tecnologia, Maggi Ribeiro é membro do Conselho de Administração e head de inovação da Amaggi, e acompanhou de perto os testes da solução da InCeres nas fazendas do grupo. De início, o foco era no gerenciamento das análises de solo da Amaggi e, depois, ganhou viés mais amplo, de integração do olhar sobre as propriedades.
Um teste bem-sucedido aqui, outro ali, e logo as conversas avançaram. Tanto na direção da Amaggi adotar a solução da InCeres em 100% das suas áreas, como, paralelamente, de Maggi Ribeiro, se interessar, pessoalmente, em virar sócio do negócio. "Não posso deixar de dizer que tivemos também o empurrão de um contato em comum, o Magnus Arantes, diretor da LM Ventures falecido há poucos dias, que estimulou a conexão entre nós xarás", conta Menegatti.
Com mais de R$ 20 milhões (entre capital próprio, reinvestido e de aportes externos) alocados no desenvolvimento da plataforma até aqui, a InCeres já processa informações de mais de 6 milhões de hectares de lavouras e impacta cerca de 60 mil agricultores, mas quer ir além. Até dezembro, a equipe que começou o ano com 17 integrantes, deve somar 31 — e aumentar consideravelmente o seu alcance.
Engenheiro agrônomo com mestrado em agricultura de precisão pela USP e MBA em marketing pela FGV, Menegatti fundou duas empresas que ajudam a contar a história da agtech. Primeiro, a consultoria agronômica APagri e, depois, o laboratório de análise de solo Ubsersolo, que foram vendidos na época em que o empreendedor decidiu focar integralmente na sua nova startup — que, mais tarde, ganhou o reforço do sócio Nelson Pozzi.
Por meio da plataforma da InCeres, a ideia é que o produtor possa planejar sua safra do início ao fim, gerenciando as análises de solo, as recomendações de aplicação de insumos e todos os manejos subsequentes. A ferramenta permite, por exemplo, a troca de texto, fotos e áudios com o agrônomo responsável da propriedade ou o profissional que oferece apoio técnico via revendas e cooperativas. O foco da solução está no mercado B2B — que inclui ainda associações, tradings, bancos etc — visando dar capilaridade à tecnologia.
Presente em 18 Estados brasileiros e no Paraguai (nas culturas de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar), a startup sonha alto e vê potencial para explorar a agricultura tropical de precisão também no continente africano e até na Oceania.
Em termos de novos segmentos, quer explorar ainda o setor de créditos de carbono. "Nós já dominamos a parte de medição e dos relatórios nessa área de carbono e agora é natural evoluirmos para a última etapa, de verificação e emissão dos créditos", afirma Menegatti.
Segundo o empreendedor, toda a operação da InCeres gira em torno de um único objetivo: aumentar a competitividade do agricultor e auxiliar a que os pequenos tenham condições de produzir tanto quanto os grandes, o que depende em boa parte do acesso à assistência técnica.
"Na lavoura de soja, a média nacional de produtividade é de 58 sacas por hectare, mas um agricultor sem tecnologia chega a produzir menos de 40. Hoje, 80% dos produtores não possuem acesso aos dados e à tecnologia que poderiam melhorar a sua produtividade e a InCeres trabalha para ajudar a mudar esse cenário", ressalta Menegatti.