Junho 10, 2021.
Por Marina Salles
A startup Wolk, de controle de operações agrícolas, anunciou que recebeu um aporte do investidor Roberto Barretto Martins na condição de pessoa-física. Executivo com larga experiência no agronegócio, Martins tem passagem por empresas como Louis Dreyfus Company e Sucden e hoje atua como investidor e conselheiro em grandes corporações do setor.
"Acredito que as startups são a origem dos avanços em nosso dia a dia e queremos fazer parte desse ecossistema", afirma Martins, em nota. A relação entre ele e a Wolk partiu de uma mentoria promovida pelo AgTech Garage, de Piracicaba (SP), e avançou rápido, com o investimento sendo fechado em pouco menos de dois meses.
Em 2021, a Wolk espera obter faturamento de US$ 1,5 milhão e, com isso, foi avaliada em US$ 10 milhões em valor de mercado nesta rodada de Série A. Em setembro do ano passado, a agtech recebeu seu primeiro aporte de outro investidor que atua no agronegócio.
O principal serviço da Wolk, a plataforma AG4, funciona como um assistente virtual, que cruza dados e busca reduzir tempos improdutivos nas operações. De acordo com Adriana Lúcia da Silva, CEO da Wolk, o ganho de eficiência com a solução é de, no mínimo, 10% na maioria dos casos. Isso porque o sistema envia alertas em tempo real e recomenda ações para o produtor atingir suas metas.
O recurso advindo desse novo investimento, segundo Adriana, será utilizado para dar velocidade ao projeto de expansão da empresa, em um mercado com cerca de 2 milhões de máquinas e que cresce 4% ao ano, segundo dados do IBGE.
Para Martins, o crescimento da Wolk tem tudo para ser rápido. "A estrutura modular da plataforma Wolk permite flexibilidade e personalização extremamente rápidas e o modelo de distribuição escolhido permite chegar rapidamente às pequenas propriedades, onde estão 70% das máquinas", diz o investidor.
Ao AgTech Garage News, Martins ressaltou que conhece bem a ineficiência da operação dos maquinários no Brasil, o que chamou a sua atenção para a startup. "Tem um problema que eu conheço bem, porque já estive do outro lado da mesa e fui produtor em larga escala, que é o fato de existir muita ineficiência na utilização dos maquinários. Você tem máquinas super caras, mas os operadores deixam a desejar em termos de utilizá-las com todo o seu potencial e a Wolk olha para isso", afirma.
Além disso, a paixão do fundador Luiz Cláudio Brito de Lima pelo negócio reforçou sua decisão. "O Luiz já mostrou uma grande capacidade de adaptação e resiliência, quando pivotou a empresa do ramo da mineração e infraestrutura para o agronegócio. E tendo um problema a ser solucionado, as pessoas certas dispostas a solucioná-lo e um produto muito bom, eu vejo que a empresa tem tudo para dar bastante certo", diz.