Perspectivas Globais da Juventude 2024

Hora de dar voz à juventude em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

youth protesting
  • Survey
  • Fevereiro 20, 2025

Como envolver os(as) jovens com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para um futuro melhor

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam o compromisso global com um futuro melhor. Alcançar os objetivos depende da participação de todos os segmentos demográficos da sociedade, especialmente os jovens. Como líderes do futuro, os(as) jovens são as pessoas mais impactadas pelas escolhas e ações de hoje. O envolvimento da juventude com os ODS é mais do que uma questão de justiça intergeracional: engajar os(as) jovens com todos os aspectos do desenvolvimento é uma necessidade.

O engajamento e a contribuição dos(as) jovens são essenciais, pois esse segmento da população traz vitalidade, ideias inventivas e novas perspectivas. Por serem nativos(as) digitais, os(as) jovens têm as habilidades necessárias para enfrentar a complexidade do mundo atual e elaborar soluções originais para os problemas do futuro.

A pesquisa Perspectivas Globais da Juventude 2024 da PwC envolveu 2.200 crianças e jovens adultos(as) de diversas regiões do mundo e revelou ideias esclarecedoras sobre a importância e o futuro dos ODS:

  • Embora a maioria (60%) tenha uma compreensão moderada dos ODS, 23% estão altamente familiarizados com os temas. 
  • Os(as) entrevistados(as) deste ano priorizaram “Água potável e saneamento”, “Educação de qualidade”, “Saúde e bem-estar” e “Fome zero” como principais preocupações, refletindo suas necessidades e aspirações imediatas. 
  • No entanto, e em comparação com o ano passado, “Ação contra a mudança global do clima” e “Igualdade de gênero” tiveram classificações mais baixas, o que indica a necessidade – e a oportunidade – de aumentar a conscientização e em defesa desses objetivos.

A pesquisa deste ano também revela uma lacuna importante entre intenção e ação. Em média, um(a) em cada três jovens que planeja agir sobre os ODS ainda não começou a fazer isso, o que reforça a necessidade de promover iniciativas para ajudar a traduzir intenções em ações. Isso é urgente, já que, a longo prazo, pequenas ações podem ter grandes impactos, especialmente sobre os ODS com os quais os(as) jovens estão mais engajados(as).

Os resultados da pesquisa chamaram a atenção para uma área-chave: a crença de que empresas e governos não estão fazendo o suficiente para promover os ODS. Isso aponta para a necessidade urgente de que esses stakeholders intensifiquem seus esforços e aumentem a visibilidade de suas iniciativas. Apenas 38% das pessoas entrevistadas consideraram que esse grupo estava fazendo o suficiente. O lado positivo é que quase 50% dos(as) entrevistados(as) reconhecem o papel crítico que comunidades e ONGs/organizações internacionais desempenham no apoio às pessoas e ao meio ambiente.

Os(as) jovens se sentem fortalecidos e desenvolvem um senso de pertencimento e responsabilidade quando se envolvem em processos de decisão e implementação de iniciativas para apoiar os ODS. Seu domínio das mídias sociais e da tecnologia é capaz de inspirar uma ação global, reunir apoio e promover conscientização. Criar plataformas para diálogo, permitir a representação dos jovens em órgãos decisórios e buscar ativamente a contribuição desse público faz parte de qualquer estratégia de implementação dos ODS.

Em resumo, o engajamento dos(as) jovens é essencial para implementar os ODS, pois suas vozes, ideias e energia são cruciais para criar um futuro sustentável para todos(as). O sucesso dos ODS e o nosso futuro coletivo dependem disso.

Resultados da pesquisa: o governo e as empresas podem e devem fazer mais

Você acredita que os seguintes grupos estão fazendo o suficiente para ajudar nosso planeta e as pessoas?

Nossa pesquisa e análise visam dar voz à juventude em relação aos ODS. Buscam ainda ampliar as visões frequentemente negligenciadas que a juventude global tem sobre essa questão importante. Apesar da inclusão de faixas etárias mais jovens no relatório, percebe-se que há uma grande conscientização sobre os ODS, com uma distribuição bastante uniforme nos níveis de conscientização entre homens e mulheres. Os níveis gerais de familiaridade com os ODS são semelhantes entre as faixas etárias.

Em relação às percepções dos(as) jovens sobre as contribuições dos principais stakeholders para ajudar o planeta e as pessoas, as comunidades e as organizações não governamentais/internacionais (ONGs/OIs) estão em primeiro lugar. Há uma percepção geral de que as empresas devem fazer mais. No entanto, existe uma polarização quando o assunto é se os governos e as empresas estão fazendo o suficiente. Apenas 38% dos(as) jovens acreditam que os governos estão fazendo o suficiente, enquanto 36% consideram que as empresas contribuem bastante. As percepções em relação ao governo variam muito de acordo com o local: os entrevistados no Oriente Médio tendem a ter visões mais favoráveis sobre o papel e o impacto do governo, enquanto os(as) jovens nos países ocidentais priorizam comunidades e organizações não governamentais.

Uma possível razão para visões críticas ao governo em países democráticos é a falta de representação dos(as) jovens em cargos de decisão: apenas 2,6% dos parlamentares em todo o mundo têm menos de 30 anos, apesar de esse grupo demográfico representar metade da população global.1

Os(as) jovens priorizam os ODS de natureza social

Água potável e saneamento são as maiores prioridades entre os(as) entrevistados(as). Os ODS sociais, como educação, saúde e bem-estar e erradicação da fome, se destacam entre as preocupações dos(as) jovens.

Qual a importância de cada um destes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para você?

Pelo segundo ano consecutivo, os(as) jovens classificam água potável e saneamento como principais prioridades dos ODS. Um índice impressionante de 77% dos(as) jovens entrevistados(as) acredita que é um objetivo “muito importante” – apenas 3% não a identificam entre suas prioridades. Apesar da importância, apenas 39% dos que priorizam o objetivo têm ou planejam tomar medidas para apoiá-lo. Água potável e saneamento representam uma prioridade global que impactará gravemente vidas e meios de subsistência no futuro. Embora medidas importantes tenham sido tomadas para abordar esse objetivo, especificamente em relação à eficiência do uso da água – que, de acordo com as Nações Unidas, melhorou em 9% no ano passado –, 1,8 bilhão de pessoas continua a viver em domicílios sem uma fonte de água no local.2 Em 2022, 73% da população mundial tinha acesso a serviços de água potável gerenciados com segurança. No entanto, a cobertura variava amplamente entre as regiões, indo de 94% na Europa e América do Norte a apenas 31% na África Subsaariana.3 Alcançar a cobertura universal até 2030 exigirá um aumento substancial nos esforços globais atuais: seis vezes mais para água potável, cinco vezes mais para saneamento e três vezes mais para higiene.

Promover a inclusão e a qualidade na educação e oferecer oportunidades de aprendizagem contínua ficou em segundo lugar na lista de prioridades deste ano em nossa pesquisa. No total, 74% consideram isso “muito importante”. Mesmo antes da pandemia, o progresso rumo à educação de qualidade já era mais lento do que o necessário, mas a covid-19 teve um impacto devastador no acesso e na qualidade da educação. Durante anos, desde 2010, as taxas globais de participação na educação infantil (um ano antes da idade oficial de ingresso no ensino básico) permaneceram estáveis em 70%, com disparidades significativas entre e dentro de territórios e regiões. As perdas de aprendizagem como resultado da pandemia são estimadas em quatro de cinco dos 104 países estudados pelas análises da ONU.4 Em 2021, apesar da oferta de educação infantil gratuita e obrigatória nessas regiões, as menores taxas de participação antes do ensino básico foram observadas na África Subsaariana (47%) e no Norte da África e na Ásia Ocidental (46%). Em contraste, a Europa e a América do Norte mantiveram em 2022 uma alta taxa de participação (91%) na educação infantil (Early Childhood Education – ECE), que se manteve inalterada desde 2010. Da mesma forma, a América Latina e o Caribe (90%, em 2022) e a Oceania (79%, em 2022) não mostraram nenhuma mudança na ECE desde 2016.5

A saúde global vem evoluindo lentamente de um setor centrado em cuidar de pessoas doentes para um que apoia totalmente o bem-estar, principalmente devido às necessidades e expectativas crescentes das gerações mais jovens. A Geração Z, que representa a maioria dos(as) entrevistados(as) neste estudo atual, está prestes a levar essa transformação para o próximo nível. No total, 73% colocam saúde e bem-estar como seu terceiro objetivo de sustentabilidade mais importante, enquanto metade deles já está tomando medidas para ver o objetivo alcançado. Nascida entre 1997 e 2012, a Geração Z representa cerca de 25% da população global, mas até o momento responde por apenas 3,3% do total de gastos com saúde/bem-estar. Em parte, isso ocorre porque os(as) integrantes dessa geração não estão recebendo o tipo de assistência médica que desejam, precisam e buscariam se fosse oferecido.

Por outro lado, foram feitos avanços significativos na prestação de serviços básicos de saúde. Por exemplo, 166 de 200 países atingiram ou atingirão em breve sua meta de mortalidade de menores de 5 anos. Devido ao tratamento eficaz do HIV, houve uma redução de 52% na mortalidade global por Aids desde 2010, e pelo menos uma doença tropical negligenciada foi eliminada em 47 países. Apesar disso, diversos fatores, incluindo a covid-19, além de crises e desafios econômicos, dificultaram o progresso em aspectos relacionados à expansão da cobertura universal de saúde, redução da mortalidade materna e imunização. Todos os dias, cerca de 800 mulheres em todo o mundo morrem durante a gravidez ou o parto. Além disso, a imunização teve seu maior declínio em três décadas e as mortes por tuberculose e malária aumentaram em comparação aos níveis pré-pandêmicos.6

Agravado por desastres naturais, conflitos geopolíticos e desafios socioeconômicos, o objetivo “Fome Zero” continua, pelo segundo ano consecutivo, a ser uma das principais prioridades para nossos(as) jovens entrevistados(as). O último relatório State of Food Security and Nutrition traça um quadro preocupante do estado da fome no mundo: 735 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome todos os dias. As previsões mostram que esse número não cairá abaixo de 600 milhões até 2030.7 Em termos absolutos, isso indica apenas um ligeiro aumento em relação a 2015, o ano da adoção da Agenda 2030. Cada vez mais, e diante de eventos e conflitos globais, o objetivo de zerar a fome é uma perspectiva distante, até mesmo decrescente. Isso torna urgentemente necessária uma “ação transformadora e acelerada”.

Considerando que a maior parte da amostra da pesquisa está baseada na Europa, Oriente Médio e África, não é surpreendente que, para os(as) jovens entrevistados(as), o objetivo “Paz, justiça e instituições eficazes” tenha ficado em 5º lugar entre os 17 ODS. Como na pesquisa do ano passado, aproximadamente 70% das pessoas declararam que esse objetivo é “muito importante”. Talvez devido à natureza do objetivo e ao fato de que ela se relaciona diretamente com ações e instituições estatais, esse objetivo alcançou a maior discrepância entre intenção e ação. Apenas 35% dos(as) entrevistados(as) já estão tomando ações concretas para apoiar esse objetivo.

Apesar de sua amplitude em escopo, a realização do 16º objetivo da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável é uma pré-condição crucial para o desenvolvimento sustentável e afeta todos os aspectos da vida e cidadãos e cidadãs do mundo, de todas as idades. No total, 108,4 milhões de pessoas foram deslocadas à força globalmente no fim de 2022, um aumento de 19 milhões em relação ao ano anterior e 2,5 vezes o número de dez anos antes. Infelizmente, pela primeira vez desde a adoção da Agenda 2030, o ano de 2022 testemunhou um aumento de mais de 50% nas mortes de civis relacionadas a conflitos.8 Em 2022, pelo menos 16.988 civis foram mortos(as) – uma em cada cinco vítimas eram mulheres. A África Subsaariana e a Europa foram responsáveis por 90% das mortes. Devido aos conflitos em andamento no mundo, é provável que o número seja consideravelmente maior para 2023 e 2024.

A pobreza extrema, definida pelas Nações Unidas como viver com menos de US$ 2,15 por pessoa por dia na paridade de poder de compra de 2017, é uma condição multidimensional caracterizada pela privação severa de necessidades humanas básicas. Isso inclui alimentação, água potável segura, instalações sanitárias, saúde, abrigo, além de falta de acesso à educação, informação, padrões de vida e inclusão social.9 Em março de 2023, a taxa global de pobreza, considerando a linha de US$ 2,15 por dia, foi de 8,5%, elevando o número de pessoas em situação de pobreza de 648 milhões para 659 milhões em todo o mundo.

Essa revisão aumenta em mais 11 milhões o número de pessoas vivendo em pobreza extrema — 5 milhões a mais no Sul da Ásia e 4 milhões a mais no Oriente Médio e Norte da África.10 Com essa taxa atual, em 2030, estima-se que 575 milhões de pessoas – ou 7% da população mundial – ainda possam estar vivendo em pobreza extrema, com uma grande concentração na África Subsaariana. O fato de a fome ter retornado aos níveis vistos pela última vez em 2005 é um sério retrocesso e ameaça ao objetivo número 1 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O aumento contínuo dos preços dos alimentos em uma quantidade maior de países em comparação ao período de 2015–2019 é igualmente preocupante – a segurança alimentar e a pobreza ainda representam uma séria ameaça mundial.

O papel fundamental desse objetivo nos ODS gerais também é visível nos resultados da nossa pesquisa. No total, 65% dos entrevistados consideram a “Erradicação da pobreza” como “muito importante”, classificando-a em 6º lugar na ordem de importância, com uma distribuição uniforme entre gêneros e faixas etárias. No entanto, o fato de apenas 33% dos(as) jovens já estarem tomando medidas para apoiar esse objetivo é bastante preocupante. Esse baixo índice torna esse um dos objetivos com a maior discrepância entre intenção e ação (32 pontos).

Em meio a uma crise energética global motivada por conflitos, recursos naturais esgotados e uma dependência esmagadora de dispositivos eletrônicos, 65% dos(as) entrevistados(as) deste ano consideram o objetivo “Energia limpa e acessível” uma prioridade máxima. Surpreendentemente, esse também é um dos principais objetivos para os quais os(as) jovens se sentem menos capacitados – 24% dos(as) entrevistados(as) disseram que “gostariam de apoiar os objetivos, mas não podem agir em relação a eles”. Isso pode ser uma grande oportunidade para os governos engajarem os(as) jovens.

Se as tendências atuais de geração e consumo de energia continuarem, as fontes de energia renováveis representarão apenas 42% do fornecimento global de energia em 2028. Com isso, serão quase 2 bilhões de pessoas ainda dependendo de combustíveis poluentes e 660 milhões de pessoas correndo o risco de perder o acesso à eletricidade.

A última década foi a mais quente desde o início dos registros globais em 1850. O ano de 2023 foi classificado como o mais quente já registrado e houve enormes incêndios florestais, furacões, secas, inundações e outros desastres climáticos em todos os continentes. Regiões altamente vulneráveis (incluindo países na África, Ásia e Oriente Médio), onde de vivem de 3,3 a 3,6 bilhões de pessoas, tiveram taxas 15 vezes maiores de mortalidade humana por inundações, secas e tempestades entre 2010 e 2020.

Em comparação com os resultados da pesquisa do ano passado, há uma mudança considerável na posição e proporção de jovens que classificaram esse objetivo como “muito importante”. Em nossa pesquisa de 2024, 56% dos(as) entrevistados(as) consideraram o objetivo “Ação contra a mudança global do clima” como “muito importante” e classificaram esse objetivo em 9º lugar entre os dez ODS mais importantes. Em 2023, o mesmo objetivo apareceu como o segundo ODS mais importante, com 72% dos(as) entrevistados(as) classificando-o como “muito importante”. Essa mudança nas prioridades também pode ser explicada pelo momento em que a pesquisa foi realizada, que coincidiu com conflitos e guerras na Europa e no Oriente Médio e a consequente priorização dos ODS mais sociais.

De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center de 2021, a Geração Z e a Geração Y (os grupos principais da nossa pesquisa) estão mais envolvidas em questões de mudança climática do que pessoas adultas mais velhas e expressam mais ansiedade sobre o futuro, especialmente quando se comunicam on-line. Além disso, as Gerações Z e Y falam mais sobre a necessidade de ação em relação à mudança climática, se envolvem mais com conteúdo on-line sobre mudança climática e estão mais envolvidas com a questão por meio de atividades como voluntariado e participação em comícios e protestos. Da mesma forma, e talvez sem surpresa, em 2021, comparadas com adultos(as) mais velhos(as), a Geração Z e a Geração Y também estavam mais envolvidas com ativismo sobre mudança climática – com 32% e 28%, respectivamente. As duas gerações participaram de pelo menos uma das quatro ações (doação, contato com autoridades eleitas, voluntariado ou participação em comícios), em comparação com 21% da Geração X e dos Baby Boomers.11

Mulheres e meninas de todas as idades representam metade da população mundial. No entanto, a disparidade de gênero ainda é generalizada e impede o progresso social. No mercado de trabalho global, em média, as mulheres ainda ganham 23% menos que os homens, apesar de dedicarem três vezes mais horas a tarefas domésticas e de cuidado não remuneradas. Alcançar a igualdade de gênero requer reformas transversais para quebrar barreiras sistêmicas em todas as áreas da vida – jurídica, social e econômica.

Seis anos antes do marco de 2030, apenas 15,4% dos indicadores do Objetivo 5 (Igualdade de gênero) da ONU estão “no caminho certo”. Além disso, 61,5% estão a uma distância moderada e 23,1% estão longe ou muito longe das metas. Se as tendências atuais continuarem, levará cerca de 300 anos para erradicar o casamento infantil, 286 anos para eliminar leis discriminatórias e fechar lacunas de proteção legal, 140 anos para igualar a representação de mulheres em posições de liderança e poder no local de trabalho e 47 anos para atingir representação igualitária nos parlamentos nacionais.

Na edição de 2024 da nossa pesquisa, o objetivo “Igualdade de gênero” ficou em 12º lugar em ordem de importância. Uma taxa combinada (tanto mulheres quanto homens) de 53% das pessoas entrevistadas considerou a meta “muito importante”, o que marca uma mudança considerável em relação à classificação do ano passado. Naquela pesquisa, esse objetivo foi apontado como “muito importante” por 64% dos entrevistados(as) – 4º lugar em ordem de importância. Como esperado, meninas/mulheres entrevistadas em nossa pesquisa atribuem consideravelmente mais importância à meta “Igualdade de gênero” do que meninos/homens – 62% das entrevistadas consideraram a igualdade de gênero “muito importante”. Da mesma forma, 41% das meninas e mulheres pesquisadas já estão tomando medidas para apoiar essa meta, em comparação com apenas 34% de seus colegas homens.12

Aproveitando a oportunidade: como eliminar três disparidades dos ODS

Atualmente, há 1,8 bilhão de pessoas entre 10 e 24 anos no planeta, a maior geração de jovens da história. E a expectativa é que esse segmento cresça ainda mais. Na verdade, estima-se que 1,9 bilhão de jovens chegará aos 15 anos entre 2015 e 2030. Aproximadamente 90% dessa população vivem em países em desenvolvimento, onde lutam com recursos limitados que agravam os atuais desafios ambientais, sociais e econômicos. Os países em desenvolvimento também são desproporcionalmente impactados por questões globais, como mudanças climáticas, conflitos e crises de saúde. Tudo isso torna necessária e urgente a implementação efetiva dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.13

O relatório atual apresenta as conclusões da segunda edição da pesquisa Perspectivas Globais da Juventude, que este ano aborda as opiniões e o comprometimento de 2.209 crianças e jovens adultos(as) entre 10 e 30 anos de idade (em 43 países) com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Nossas conclusões e análises mostram que, devido à sua conectividade sem precedentes, essa geração de jovens continua a fazer contribuições significativas para o desenvolvimento de suas comunidades, criando soluções inovadoras, gerando impacto positivo para a sociedade e promovendo justiça social. Com as ferramentas e recursos certos, os(as) jovens podem atuar pela mudança e trabalhar para melhorar a vida das pessoas e a situação global, promovendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Ao analisar as conclusões da nossa pesquisa, identificamos três oportunidades distintas – um desenho de como podemos abordar as lacunas existentes e priorizar ações futuras:

  • Promover o conhecimento tem o potencial de remover disparidades em termos de conscientização e compreensão dos ODS.
  • Ações fortalecedoras abordam o que chamamos de lacuna de ação e indicam oportunidades de transformar a intenção em impacto tangível.
  • Abordar a desigualdade de gênero ressalta a importância de promover o equilíbrio entre os gêneros e reduzir essa disparidade desde cedo para alcançar a paridade de gênero.

Quão familiarizado(a) você está com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Total
Idade

1. Promover o conhecimento – eliminando as disparidades de conscientização sobre os ODS

Surpreendentemente, a nossa pesquisa revela níveis semelhantes de conscientização e familiaridade com os ODS entre as faixas etárias de 10 a 17 e 18 a 30 anos. Isso rompe com a noção preconcebida de que a idade se correlaciona com o nível de compreensão dos objetivos e sugere que as escolas estão começando a engajar os(as) alunos(as) com os ODS desde uma idade menor. Essa percepção inesperada nos desafia a reconsiderar como abordamos e direcionamos campanhas de conscientização. É preciso reconhecer que o potencial para compreender a importância do desenvolvimento sustentável é igual para todos os grupos de jovens.

A descoberta inesperada de níveis de conscientização semelhantes entre diferentes grupos representa uma oportunidade de revisar e diversificar campanhas de conscientização para o desenvolvimento sustentável. Ao reconhecer que os entrevistados(as) mais jovens têm um grande interesse nos ODS, pode-se desenvolver e implementar campanhas que os empoderem ainda mais, adotando uma linguagem acessível e envolvente, explorando plataformas de mídia social amplamente utilizadas por esse público e criando materiais educativos adaptados às suas necessidades e realidades.

Essa descoberta também destaca a necessidade de desenvolver iniciativas específicas para envolver faixas etárias mais avançadas por meio de abordagens inovadoras que inspirem e atraiam seu interesse, incluindo a participação de jovens como defensores(as) e embaixadores(as), além da criação de plataformas de interação entre pares em torno dos ODS.14

2. O poder da ação – como pequenos gestos podem ter um grande impacto

Nossa pesquisa sugere um descompasso no comportamento dos(as) jovens entrevistados(as) entre suas prioridades e interesses e seu engajamento e ação para atingir os ODS. Em termos gerais, os objetivos que foram apontados como de maior importância na pesquisa demonstram as maiores “lacunas de ação”. Isso levanta questões importantes sobre a disponibilidade de atividades de divulgação e engajamento por parte de instituições e organizações especializadas, bem como a relevância das atividades oferecidas. Ao reconhecer que alguns ODS podem ser “mais fáceis” e mais atraentes para os(as) jovens, as organizações podem trabalhar para promover uma cultura de atividade e engajamento, dando um pequeno passo rumo a uma grande transformação.

As respostas dos(as) jovens à questão sobre como eles podem apoiar os ODS variam de buscar educação e conhecimento sobre o tema até comunicar e compartilhar notícias sobre os ODS (especialmente por meio das mídias sociais), construir redes sociais, além de se voluntariar e se envolver com suas comunidades. O mais interessante é que “Demonstrar pequenos atos de gentileza” foi visto como um ponto de partida para um envolvimento mais profundo e surgiu como um tema recorrente nas respostas dos(as) jovens – especialmente entre os mais novos.

Os resultados da pesquisa deste ano refletem a compreensão intuitiva dos(as) jovens de um “efeito cascata da gentileza”, no qual a compaixão e a benevolência geram impactos positivos. Estudos apontam conclusões semelhantes, demonstrando que ajudar outras pessoas melhora o bem-estar, a saúde mental e a felicidade geral. Ao simplesmente praticar a gentileza, os(as) jovens podem contribuir tanto para os ODS quanto para o seu próprio bem-estar.15

Apesar do amplo reconhecimento da importância dos ODS, há uma grande oportunidade de incentivar as pessoas a traduzir seu apoio em ações.

Lacuna de ação: percentagem de jovens entrevistados(as) que priorizaram um objetivo e estão tomando medidas para apoiá-lo

3. Abordar a disparidade de gênero

Uma análise mais detalhada dos resultados da nossa pesquisa indica uma lacuna de ação maior para meninas e mulheres em todos os 17 objetivos. No geral, há uma diferença média de mais 4,7 pontos entre pessoas entrevistadas do sexo feminino e masculino em relação às ações que tomam para apoiar os objetivos que consideram “muito importantes”. Como resultado, a lacuna média de ação é de 28 pontos para mulheres e 24 pontos para homens, respectivamente.

Os níveis mais baixos de engajamento de meninas/mulheres em torno de suas prioridades de ODS indicam que as barreiras estruturais e institucionais que reforçam a discriminação de gênero e os estereótipos persistem e continuam a impactar as gerações mais jovens. Assim como ocorreu com lacunas anteriores, reconhecer e admitir a necessidade de aumentar a autonomia de meninas e mulheres por meio de campanhas e iniciativas direcionadas, especialmente desde muito cedo, é uma prioridade para o futuro – com impacto significativo no desenvolvimento socioeconômico sustentável em seu sentido mais amplo.

Diferença percentual – por gênero – entre os(as) jovens entrevistados(as) que priorizaram uma meta e tomaram medidas para apoiá-la

4. Principais áreas a serem priorizadas

À medida que grupos mais jovens demonstram familiaridade e interesse nos ODS, a PwC pode adaptar campanhas para empoderá-los, utilizando uma linguagem voltada para a juventude, materiais educativos e plataformas de mídia social. Os resultados também destacam a necessidade de ajustar a abordagem para públicos mais velhos, seja por meio de campanhas direcionadas ou envolvendo os(as) jovens como defensores(as) e embaixadores(as).

Incluir os jovens nos processos de tomada de decisão sobre os ODS fortalece seu senso de engajamento com o futuro. As estratégias de implementação prática dos ODS devem priorizar a criação de plataformas de diálogo para a juventude, incentivar sua representação em órgãos decisórios e buscar ativamente suas opiniões.

Os(as) jovens defendem a gentileza como um caminho para um mundo melhor, reconhecendo sua conexão com os ODS e o bem-estar. Isso abre oportunidades para integrar a gentileza na educação sobre os ODS, criar plataformas para que compartilhem como a gentileza contribui para um futuro sustentável e apoiar projetos liderados pela juventude relacionados ao tema.

A crescente ênfase nos ODS sociais exige uma abordagem estratégica para responder às preocupações sociais dos(as) jovens. Isso pode envolver investimentos em áreas como serviços de saúde, bolsas de estudo e empreendimentos sociais que abordem questões sociais e sejam liderados por jovens. Igualmente importante é garantir acessibilidade e apoio, eliminando barreiras de acesso à saúde e à educação.

Ao implementar programas mais robustos e ampliar as iniciativas público-privadas relacionadas aos ODS e voltadas para crianças e jovens, governos e empresas podem contribuir de forma mais eficaz para preparar a juventude, incentivando sua participação ativa na construção de um futuro mais sustentável.

1Pierce, Natalie. “How global leaders can restore trust with young people”, World Economic Forum, 13/1/2024

1Kaveri, Megha. “Water & Sanitation Crises Hit Women & Girls Harder than Men”, Health Policy Watch, 6/7/2023

2Kaveri, Megha. “Water & Sanitation Crises Hit Women & Girls Harder than Men”, Health Policy Watch, 6/7/2023

3“Progress on household drinking water, sanitation and hygiene 2000-2022: special focus on gender”, Programa Conjunto de Monitoramento da OMS/Unicef para Abastecimento de Água, Saneamento e Higiene, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Mundial da Saúde (OMS), 2023.

4“Quality Education”, The Sustainable Goals Report - Special Edition 2023, ONU

5“Education Data Release”, Instituto de Estatística da Unesco, 13/9/2023

6”Objetivo 3: "Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades", Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Edição Especial 2023, ONU.

7Braun, Johanna. “Sustainable Development Goals’ Current Status”, Welt Hunger Hilfe, 2/10/2023

8“Objetivo 16: Paz, Justiça e Instituições Fortes, Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Edição Especial 2023, ONU.

9“Objetivo 1: "Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares", Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Edição Especial 2023, ONU.

10Baah, Samuel Kofi Tetteh et al, “March 2023 global poverty update from the World Bank: the challenge of estimating poverty in the pandemic”, World Bank Blogs, 29/3/2023

11Tyson, Alec et al, “Gen Z, Millennials Stand Out for Climate Change Activism, Social Media Engagement With Issue”, Pew Research Center, 26/5/2021

12“Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”, Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Edição Especial 2023, ONU

13“Youth and the SDGs”, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ONU, www.un.org

14Essas descobertas e recomendações estão alinhadas com as recomendações do círculo juvenil organizado pela PwC na COP28. Para mais informações, consulte o Anexo, página XX.

15Rowland L, Curry OS. “A range of kindness activities boost happiness”. J Soc Psychol. 2019;159(3):340-343. doi: 10.1080/00224545.2018.1469461. Epub 15/5/2018.

Perspectivas Globais da Juventude 2024

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Leandro Ardito

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