Dezembro 7, 2023
Marcelo Altieri: “O Brasil está evoluindo na direção em que a Yara está evoluindo. Para o futuro, vemos com bons olhos a agricultura indo do sustentável para o regenerativo” (Foto: Yara)
Por Marina Salles
Ao longo dos últimos 10 anos, a companhia norueguesa Yara investiu R$ 15 bilhões no Brasil, entre aportes em infraestrutura e P&D, e anuncia novidades em prol do seu compromisso de “cultivar um futuro alimentar positivo para a natureza”.
A aposta da companhia no seu novo ciclo de investimentos está no desenvolvimento de soluções alinhadas com a agricultura regenerativa e com a produção de fertilizantes a partir de uma matriz energética renovável. Nas palavras de Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil, “será preciso devolver aos sistemas o que extraímos ao longo do tempo e, nesse sentido, a agricultura sustentável não é mais suficiente”.
Na frente da agricultura regenerativa, o lançamento (previsto para janeiro de 2024) será da linha YaraAmplix, de bioestimulantes – que contribuem para processos naturais do desenvolvimento vegetal, aumentando, por exemplo, a absorção de nutrientes.
Segundo Maurício Rossi, Diretor de Produtos e Portfólio da Yara, as formulações desta linha contêm uma mistura de nutrientes minerais tradicionais com substâncias de matriz orgânica, como algas marinhas, aminoácidos e extratos de plantas. “O objetivo da linha YaraAmplix é não só nutrir as plantas, mas também melhorar sua eficiência contra estresses do meio produtivo”. O foco da linha é trazer resiliência para as lavouras, frente um clima cada vez mais adverso, favorecer a saúde do solo, a biodiversidade e a otimização do uso de insumos.
A expectativa, no médio prazo, é incluir sete rótulos na esteira de lançamento. Atualmente, dois produtos já estão sendo reposicionados para fazer parte desta linha. Um deles, é o NRHIZO usado no tratamento de sementes – um fixador de nitrogênio que, diferente de produtos convencionais, não contém cobalto.
“O cobalto é um metal pesado”, lembra Rossi. “Nós conseguimos patentear uma substância que imita o cobalto e que vai trazer benefícios para a planta. Geralmente, quando você aplica cobalto na semente, a planta nasce com certa inibição à absorção de ferro, o que dá um aspecto amarelado para ela e causa algum estresse. Com essa substituição, a planta não tem dificuldade de absorver o ferro no início do seu ciclo”, afirma. Assim, a expectativa é que se desenvolva melhor na largada e possa produzir mais.
No complexo industrial de Cubatão (SP), a aposta da Yara é na produção de amônia verde a partir do biometano, que passará a ser usado como substituto do gás natural no ano que vem. A previsão é que o fornecimento da nova matéria-prima, pela Raízen, se inicie no segundo trimestre de 2024.
Apenas com essa alteração, estima-se uma redução de 50% nas emissões resultantes do processo produtivo. “Será a primeira produção de amônia verde em escala comercial da Yara no mundo. O Brasil vai produzir amônia verde antes das plantas na Europa”, conta Altieri.