MasterBarter se prepara para captar R$ 20 mi e escalar uso da produção agrícola como moeda

Objetivo do serviço é garantir a comercialização mais segura e ágil no mercado online de compra e venda de commodities

Fevereiro 14, 2022

Por Marina Salles 

O fenômeno da especialização de serviços, que despontou no mercado de fintechs, já é tendência entre as agfintechs. Ao invés de competir por clientes com uma gama de produtos interminável, as startups do agronegócio também estão indo pelo caminho de atacar nichos e construir uma clientela fiel. A MasterBarter até colocou sua proposta de valor no nome. A agfintech é especializada na melhoria de processos atrelados ao barter, o uso da produção como moeda de troca, geralmente, para compra de insumos. 

Fundada em 2020 com um aporte de R$ 5 milhões, a startup anunciou hoje que está se preparando para uma rodada semente de R$ 20 milhões. A empresa tem duas soluções na praça. O BarterCard (conta digital que facilita o acesso ao crédito utilizando a produção agrícola como moeda de pagamento) e o DigiBarter (plataforma baseada em blockchain que digitaliza a jornada de criação e acompanhamento de contratos de barter).

“O modelo de barter não é novo e agricultores utilizam a ferramenta para financiamento do custeio de safra, mas o acesso ainda é muito restrito ao grande produtor rural das culturas de soja, milho e algodão. Ainda há muito potencial para incluir agricultores menores e de culturas novas nesta jornada de financiamento”, diz o CEO e fundador da empresa, Walter Dissinger, em nota.

Potencializando o barter

A expectativa é que as soluções desenhadas pela MasterBarter funcionem como um motor para escalar operações de barter, dando mais autonomia, liberdade e facilidade de monetização para o produtor rural. 

Em menos de um ano, a MasterBarter conquistou 10 clientes, incluindo grandes cooperativas, distribuidores verticalizados e indústrias de insumos. A projeção para 2022 é transacionar, na sua plataforma e contas digitais, um volume financeiro superior a R$ 400 milhões. No prazo de três anos, a agfintech tem planos ambiciosos: projeta cadastrar 80 mil agricultores e transacionar mais de R$ 7 bilhões. 

No caso da conta digital da startup, o objetivo é facilitar o acesso ao crédito utilizando a produção agrícola como moeda de pagamento. Para isso, um contrato inteligente é fechado na plataforma digital da empresa e a produção fica atrelada a um pedido de barter, contrato de compra e venda (CCV) com terceiros ou Cédula de Produto Rural (CPR). 

Pelo aplicativo da MasterBarter, o produtor consegue converter seu grão em dinheiro sempre que precisa de liquidez e pode fazer compras com o cartão BarterCard. “Esse é o único cartão de crédito com bandeira Mastercard que oferece prazo safra para produtores rurais”, diz Dissinger. 

Já a plataforma blockchain, de acompanhamento dos contratos de barter, garante aos originadores de produtos agropecuários que os princípios ESG (social, ambiental e de governança) estão sendo cumpridos nas fazendas. “É a garantia de que cumprimos com protocolos regulatórios rígidos, atuando como instituição de pagamento para todos estes participantes da cadeia do agronegócio”, explica o co-fundador da MasterBarter, Marcelo Borba.

Além de Dissinger (que ocupou cargos de liderança na Basf a nível mundial e foi CEO da Votorantim Cimentos) e Marcelo Borba (produtor rural em Tocantins e Goiás e fundador e ex-CEO da MB Engenharia), Francisco Pereira (fundador e atual CEO da Trademaster e ex-diretor da Bunge) completam o time de fundadores do negócio. Juntos, eles planejam democratizar o acesso ao barter no Brasil. A MasterBarter já recebeu R$ 5 milhões em investimentos dos seus criadores e dos fundos Parallax Ventures e FRAM Capital.

Contatos

Maurício Moraes

Maurício Moraes

Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

COO do PwC Agtech Innovation e sócio, PwC Brasil

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