Novembro 30, 2022
Por Marina Salles
Como resultado de uma parceria público-privada entre a Embrapa e a Helix, empresa do grupo Agroceres, foram apresentadas ao mercado este mês cultivares melhoradas com o evento transgênico de milho BTMAX. A tecnologia, 100% desenvolvida no Brasil, apresenta alta eficácia contra a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), segundo as empresas, e conta com um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt).
“Consideramos um marco para a ciência brasileira. Apesar de ser uma tecnologia que já havia sido desenvolvida em outros países, somente duas empresas no mundo têm opção para o produtor hoje em dia”, diz Urbano Ribeiral Júnior, Diretor Financeiro do Grupo Agroceres.
A parceria foi estabelecida no Edital de Seleção Pública Conjunta entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com o objetivo de apoiar a inovação tecnológica no setor do agronegócio.
O edital foi o Inova Agro, de 2013. “Fizemos a parceria com a Embrapa e existia uma linha temática exatamente no tema que queríamos, que é o desenvolvimento de eventos OGMs próprios, e então fizemos um plano de negócios com a Embrapa Milho e Sorgo. Para nossa felicidade, essa parceria foi selecionada, com a Finep apoiando a Helix e o BNDES apoiando a Embrapa. Um projeto de muito alto risco, cujo apoio inicial foi extremamente importante”, diz, em nota Ribeiral Júnior.
Cesar Moisés Camilo, pesquisador da Helix, afirma que, nos testes em laboratório e a campo, o BTMAX foi tão eficiente quanto a melhor tecnologia existente no mercado e não apresentou nenhum dano em folhas ou no cartucho das plantas. Os ensaios foram conduzidos em regiões relevantes para a produção de milho no Brasil, como o Estado de Mato Grosso.
Na apresentação do BTMAX, no último dia 22 de novembro na sede da Agroceres em Patos de Minas (MG), Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, reforçou a importância da cooperação para o desenvolvimento da tecnologia. “Hoje estamos demonstrando, em um evento de exposição tecnológica de alto nível, de oportunidades negociais e de networking profissional, a lógica da construção, por co-criação e co-desenvolvimento, de um evento transgênico que se configura pelas bases científicas em um fenômeno técnico-científico. E estamos fazendo isso com tal grandeza, com tal propósito, que nas alianças que estabelecemos com a Helix, por certo, estamos diante de um potencial enorme também de se tornar um fenômeno mercadológico. É isso que move o mundo de uma ciência com propósito”, disse.
Na Embrapa Milho e Sorgo, Newton Portilho Carneiro, foi o pesquisador líder do projeto desenvolvido em parceria com a Helix, que contou com grande colaboração também do colega de Embrapa Fernando Hercos Valicente. “O trabalho do colega pesquisador foi fundamental para identificarmos esse gene. Desde a década de 1990, Valicente vem fazendo coletas de Bts que apresentam enorme biodiversidade de genes para controle de uma série de insetos. Hoje, essa coleção ultrapassa 4.600 cepas e é talvez a maior coleção de Bts coletados em solos tropicais da América do Sul. Se essas cepas, em média, têm de dois a três genes, imaginem a tremenda possibilidade quanto à nossa busca nesse banco para encontrarmos coisas novas”, disse Newton.
Em junho de 2022, o evento BTMAX teve aprovação unânime da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), referência mundial em excelência técnica. Contudo, ainda não há previsão para lançamento comercial da tecnologia no Brasil. Isto porque, mesmo tendo sido aprovada em território nacional, a tecnologia depende de aprovações em outros países, uma vez que o milho é um grão que integra a cadeia de exportação. Os processos para a liberação comercial do evento BTMAX em outros países já foram iniciados pela Helix.