Junho 21, 2022
Por Marina Salles
A Embrapa Agricultura Digital, a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) e a Usina Granelli comemoram o lançamento no mercado brasileiro do primeiro açúcar mascavo dotado de um sistema de rastreabilidade, baseado em blockchain. A partir de julho, o consumidor da marca Granelli poderá consultar, via QR Code, a data de produção, variedade de cana e geolocalização da propriedade rural que forneceu a matéria-prima para o seu açúcar mascavo, além da análise microbiológica e parâmetros físicos e químicos, como teor de sacarose, umidade e cor.
A expectativa para este ano é que o piloto conte com a produção de quatro toneladas de açúcar mascavo com rastreabilidade. A usina também já estuda estender o uso da tecnologia para outros produtos, como o açúcar tipo demerara e destilados alcoólicos.
O Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade (Sibraar), desenvolvido pela Embrapa Agricultura Digital, é que permite ao consumidor ter as informações detalhadas do açúcar. Conforme Alexandre de Castro, líder do projeto na Embrapa, o sistema da Embrapa foi concebido inicialmente para o setor sucroenergético, mas pode ser customizado também para a agroindústria vinculada a outras cadeias agrícolas, como a de grãos. A tecnologia é licenciada pela Embrapa mediante o pagamento de royalties.
A tecnologia é resultado de uma iniciativa da Embrapa para inovação aberta com o setor produtivo, destaca o Chefe-Geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira. Essa modalidade de projeto é focada em uma conexão maior da pesquisa com as demandas da agropecuária, que conta com parceiros comprometidos com a adoção da solução gerada. “A partir dessa experiência, a Embrapa tem um arcabouço de conhecimento que vai reduzir o tempo para desenvolvimento e customização da tecnologia para outras aplicações e culturas”, diz o Chefe-Geral.
A rastreabilidade, segundo Castro, é fundamental para informar o consumidor sobre a procedência e o processo de produção daquilo que ele compra no supermercado. Além de contribuir para o aumento da competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. “A adoção de ferramentas com tecnologias do tipo blockchain embarcadas possibilita que cada lote fabricado receba uma assinatura digital única para criar uma trilha segura de auditabilidade dos dados”, diz, em nota
Com o blockchain, a assinatura digital de cada novo lote do produto inclui as informações codificadas de todos os lotes anteriores, formando uma sequência imutável. Havendo qualquer alteração no banco de dados, o código QR etiquetado nas embalagens do produto é automaticamente inativado, o que ajuda a combater adulterações.
Segundo Mariana Granelli, Diretora de Projetos da usina, a opção de usar o blockchain se deu pela transparência que a tecnologia oferece. “O mercado está cada vez mais exigente, quanto mais formos transparentes nessa relação, acreditamos que melhor será a nossa reputação junto ao consumidor”, afirma.
Fundada há 35 anos, na região do vale do rio Piracicaba (SP), a Usina Granelli nasceu como engenho para produção industrial de cachaça, revendendo seus produtos para grandes engarrafadoras do país. Nos anos 2.000, a empresa passou a produzir também etanol e xarope de cana. A fabricação de açúcar é mais recente.
Hoje, a usina produz os tipos VHP (Very High Polarization), açúcar bruto voltado para a exportação; demerara e mascavo. O açúcar mascavo com a rastreabilidade via blockchain é a aposta da empresa para entrada na venda direta ao consumidor, por meio de supermercados, lojas especializadas e plataformas de comércio eletrônico.
“Há cinco anos, a usina vem aprimorando o processo de fabricação, buscando parâmetros ideais para aceitação no mercado. O objetivo é atender um segmento de consumidores preocupado com a saudabilidade dos alimentos e disposto a remunerar um açúcar com maior valor agregado. A rastreabilidade chega neste mesmo contexto, de oferecer um alimento seguro e de qualidade”, afirma Mariana. O açúcar mascavo tem a prerrogativa de passar pelo mínimo processamento durante a fabricação, feita sem uso de aditivos químicos para clareamento e refino, o que preserva alguns nutrientes em concentração muito superior ao açúcar branco, como cálcio, magnésio, fósforo e potássio. O preço de prateleira do produto é, em média, cinco vezes superior ao do açúcar cristal.
*Com informações da assessoria de imprensa