Alber Guedes, fundador e CEO da SoluBio, prepara transição para centrar foco em projetos de inovação

Em nova fase da SoluBio, agora investida da Aqua Capital, o então CEO passará a ocupar uma cadeira no Conselho da empresa e focar em novidades para o portfólio

Novembro 7, 2022

Por Marina Salles

Antes de fundar a SoluBio, Alber Guedes não saia da estrada e foram suas andanças, como técnico agrícola baseado no Rio Grande do Sul, que o ajudaram a construir uma empresa que faturou R$ 77 milhões em 2021, entregando as condições para o produtor rural fabricar seus bioinsumos na fazenda. Em 2022, a expectativa é chegar a faturar R$ 220 milhões e atingir a casa de R$ 400 milhões em 2023, com o foco, sempre, em inovação, pesquisa e desenvolvimento. 

“Como técnico agrícola e filho de pequeno produtor, fui percebendo que as novas tecnologias chegavam muito caras para o produtor na ponta, e quis fazer diferente com os biológicos quando vi que esse era um negócio escalável”, diz Guedes. Em 2022, a projeção é que o modelo de produção de biológicos on farm da SoluBio esteja presente em 400 fazendas. 

Há 11 anos e 2 meses à frente da gestão da empresa, ele planeja a transição do cargo de CEO para ocupar uma cadeira no Conselho da SoluBio e investir nos próximos passos do negócio. Até o final de 2022, o plano é que Mauricio Schneider, atualmente Chief Revenue Officer da SoluBio, assuma o posto de CEO.

A mudança está sendo anunciada meses depois de a Aqua Capital, gestora de private equity com foco no agro e no setor de alimentos, adquirir participação minoritária na SoluBio, em final de agosto. “Trazer um fundo como o Aqua Capital para o negócio é muito mais do que trazer dinheiro. É trazer governança, acesso a mercado, estrutura para internacionalização”, diz Guedes, o que reforçou os pilares para ele trilhar um novo desafio. “Se alguém achou que ia me ver menos depois da entrada do Aqua, se enganou”, brinca.

Enquanto concedia entrevista ao AgTech Garage News, em outubro, Alber Guedes já estava de volta aos aeroportos e estradas para rever clientes antigos, conhecer novos e levantar oportunidades. A meta de curto prazo era percorrer os Estados de Tocantins, Bahia, norte de Goiás e sua terra natal, o Rio Grande do Sul. “Há 30 meses que eu não viajava assim, porque vinha me dedicando a montar nossa estrutura fabril em Jataí (GO)”. Com o investimento de R$ 100 milhões concluído na fábrica, o objetivo agora é olhar para outros horizontes. Em fase de escalada da produção, a fábrica de Jataí deve terminar 2022 operando com 60% da capacidade. 

Portfólio robusto

Ouvindo as demandas do produtor, a SoluBio estruturou um modelo de negócios em que opera com o comodato de equipamentos e fornece insumos, controle de qualidade, treinamentos e assistência técnica para a viabilizar a fabricação de insumos biológicos direto no campo. 

A empresa calcula que com esse pacote completo, batizado SoluBio Experience, é possível reduzir em até 70% os custos de manejo em lavouras de soja, milho, trigo, algodão, cana, café e hortifrutis. Hoje, os produtos para controle de nematoides são o carro chefe da empresa, dentro de um portfólio que conta também com promotores de crescimento e bio fungicidas multiplicados com os mais elevados padrões de segurança em Jataí. 

“Nossa meta é aumentar o portfólio e trazer novas tecnologias que se conectam com o que a gente já faz”, diz Guedes. Para isso, a SoluBio montou um Centro de Inovação em Brasília que será inaugurado neste mês de novembro e que é liderado pela pesquisadora Rose Monnerat, que trabalhou na Embrapa por mais de 35 anos antes de se juntar ao time da SoluBio. Além dela, cerca de 10 pesquisadores trabalharão no polo de inovação. A atividade fundamental da equipe será a de prospectar ativos biológicos, ou seja, identificar microrganismos que possam controlar pragas e doenças e ser produzidos em escala para atender o mercado. Na SoluBio como um todo, o número de funcionários já passa de 660.

A holding CBBB

Guedes lembra ainda que a SoluBio integra uma holding, a Cia Brasileira de Biotecnologia e Bioinsumos (CBBB), que conta com soluções complementares ao universo dos biológicos. Fazem parte do chapéu: a Solutech, CBBIO, Go Solos, Ciclos Bio Brasil e Nutri Farm, além de seis revendas espalhadas pelo Brasil. A Nutri Farm, por exemplo, é uma empresa de fertilizantes organominerais que têm compatibilidade com os bioinsumos da co-irmã.

Sem dar muitos spoilers do que mais está por vir, Guedes diz que aposta na metagenômica para alimentar o crescimento do pipeline e vê com bons olhos tecnologias como, por exemplo, a multiplicação de algas on farm.  Independentemente da posição na SoluBio, ele afirma que quer sempre estar onde pode gerar mais valor para os negócios da companhia, que vem se destacando entre as biotechs brasileiras e pode chegar a valer R$ 1 bilhão, a depender dos resultados em 2023.

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Maurício Moraes

Maurício Moraes

Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

COO do PwC Agtech Innovation e sócio, PwC Brasil

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