World Agri-Tech Summit aponta tendências para AL manter posto de superpotência no agro

Caminho da inovação passa por colocar o consumidor no centro, fomentar ag&foodtechs e estabelecer maior cooperação entre empresas e startups

Junho 29, 2021.

Por Marina Salles

A América Latina e o Caribe respondem hoje por 14% da produção global de alimentos e 45% do comércio internacional de produtos alimentícios, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), e tem potencial para se consolidar como superpotência agrícola no futuro, na visão de especialistas que participaram do World Agri-Tech South America Summit. Para chegar lá, no entanto, a região precisará superar desafios.

O painel Solidificando o papel da América do Sul como uma superpotência agrícola global foi mediado por Tomás Peña, diretor do The Yield Lab na Argentina.

Consumidor no centro

Mariano Mayer, CEO da Marea Ventures, destacou que sua aposta é que os empreendedores e empresas mais bem-sucedidos serão aqueles dispostos a entender o mercado consumidor.

“Veremos o B2B mudando para o C2B, e o mercado deixando de falar em 'farm to fork' [da fazenda ao garfo], para falar de 'fork to farm'. Esse é um insight poderoso para as startups, porque isso facilitará entender onde precisamos centrar a inovação. Se é em sustentabilidade, eficiência produtiva, comidas mais saudáveis. O foco estará no que o consumidor quer”, argumenta Mayer. 

Além disso, ele afirmou que agenda “fisital” (que mescla o mundo físico e digital) já encurtou a distância entre produtores e fornecedores e deve avançar ainda mais. Com a pandemia, a influência dos intermediários diminuiu e trouxe o consumidor mais para perto da cadeia produtiva, segundo o investidor. 

Tecnologia guiando decisões

Para Rocio Fonseca, chefe de inovação da agência do governo chileno de fomento ao empreendedorismo, Corfo, a supremacia da América Latina na cadeia agroalimentar passará também pela análise de dados.

Há dez anos, segundo ela, entre as principais tendências relacionadas ao agronegócio no Chile já apareciam tecnologias verdes, customização em massa, química verde, manufatura avançada, energias limpas e alimentos funcionais. Hoje, por sua vez, a Corfo, coloca no topo dessa lista as ag&food techs e trabalha para aproximar o que Rocio chamou de "negócios tradicionais" dos "disruptivos”, representados sobretudo por essas startups.

Cooperação como palavra de ordem

No desenvolvimento do potencial da região, Alejandro Lopez, chefe de sustentabilidade da Adecoagro na Argentina, empresa produtora de alimentos e energia renovável, frisou ainda que a cooperação será peça-chave.

“O setor público e privado tem o papel de ajudar a conectar empresas, startups e a comunidade de inovação do agronegócio. No caso da Adecoagro, nossa forma de contribuir é abrindo as fazendas e indústrias para as startups validarem seus modelos de negócios, escalarem mais rápido e atraírem mais investidores e capital global”, diz.

Na visão dele, o potencial de digitalização da agropecuária latino-americana precisa ser melhor comunicado para facilitar o acesso a capital na região, ainda limitado na comparação com outras geografias. 

Sustentabilidade na fronteira

Sebastian Popik, sócio do fundo de private equity brasileiro Aqua Capital, lembra que, lá atrás, foi justamente a provocação do mercado pelo aumento de produtividade que colocou a América Latina no mapa agroalimentar. (E colou, sobretudo no Brasil, o selo de “celeiro do mundo”).

A hora agora, segundo Popik, é de identificar os novos sinais. “Há duas décadas, o chamado para ação foi a necessidade de produzir mais comida de forma mais eficaz. Uma sinalização forte agora, acredito, se dará em torno da precificação dos créditos de carbono. Esse é um mercado que tende ser incrivelmente positivo para a América Latina, com impactos para a preservação da biodiversidade e estímulo ao fim do desmatamento”, diz o executivo.  

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Maurício Moraes

Maurício Moraes

Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

Tel: 4004 8000

Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

COO do PwC Agtech Innovation e sócio, PwC Brasil

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