Tecnologias digitais podem facilitar a governança de empresas na Era ESG

Especialistas debatem o futuro dos empreendimentos rurais com base em estratégias de governança, desenvolvimento social e ambiental

Agosto 26, 2021

Por Viviane Taguchi

O AgTech Meeting teve início nesta quarta-feira (25/8) com uma discussão contemporânea, o ESG (Environmental, Social and Governance). No painel “Como a estratégia social e de governança pode garantir a longevidade das organizações no agronegócio?”, especialistas de grandes corporações do setor agropecuário debateram sobre o conceito de gestão que ganhou fôlego nos últimos anos, mas que está presente no dia-a-dia das organizações agrícolas há mais de uma década. 

Fabiana Alves, diretora executiva do Rabobank, Mariana Caetano, Head de Agronegócios da KTPL e Andrea Marquez, vice-presidente de Gestão e Pessoas da Bunge, participaram do debate, que foi mediado por Bruno Abreu, líder do time de gestão e inovação do AgTech Garage.

O conceito de ESG ganhou grande repercussão nos últimos meses no mundo corporativo, sobretudo devido às questões das mudanças climáticas e seus efeitos sobre a produção de alimentos, fibras e energia, e a segurança sanitária e alimentar. 

Numa inversão de paradigmas, hoje a demanda vem do consumidor final, representante de uma geração de pessoas conscientes de que cuidar do planeta e produzir com responsabilidade é dever das empresas. 

Tecnologias digitais, comunicação eficiente e a responsabilidade social incorporada à governança foram apontadas pelas especialistas como áreas essenciais para o futuro dos negócios.

A sustentabilidade, baseada nos pilares social, ambiental e econômico, faz parte da rotina das empresas do agronegócio desde a década de 2000, segundo elas. E foi um critério essencial para os negócios do banco agrícola Rabobank, e da multinacional Bunge, que atuam no setor do agronegócio há mais de 10 décadas e, mais recentemente, da KPTL, gestora que atua junto a startups. 

“A sustentabilidade sempre esteve na raiz dos negócios, mas hoje, chama-se ESG, está mais organizada e agrega avanços”, afirmou Andrea Marquez.

Tecnologias digitais

Uma das áreas consideradas fundamentais para a implementação eficiente das estratégias ESG nas empresas nos tempos atuais e nos negócios do futuro são as tecnologias digitais. 

De acordo com as convidadas, serão as tecnologias digitais que possibilitarão a democratização do conhecimento e das práticas ESG, segundo Fabiana Alves, do Rabobank. 

Antes de o mundo se tornar totalmente ESG, vamos precisar nos tornar mais digitais para que os processos possam ser expandidos com eficiência para toda a cadeia produtiva"

A executiva citou como exemplo a eficiência de certificações socioambientais. “As certificações precisam ser aceitas por toda a cadeia e não somente serem aplicáveis a uma ou outra propriedade. Precisamos chegar a critérios comuns e, para isso acontecer, precisamos das tecnologias digitais, de padronizações, monitoramento e transparência”. 

Mariana Caetano, da KPTL, segue a mesma tônica. “Com as diversas tecnologias, podemos buscar a mudança estrutural que almejamos para o planeta, principalmente na Era pós-pandemia. Através de investimentos em tecnologias, será possível realizar inventários e levantamentos, por sensores ou satélites, que permitirão ao agro ganhar escala para aplicar na gestão corporativa”, disse. “As tecnologias e a cooperação de toda a cadeia produtiva serão bases para o ESG”.

“As tecnologias digitais estão mudando totalmente a forma como as empresas conseguem monitorar o trabalho que está sendo desenvolvido por seus parceiros, nos permitem chegar onde o trabalho está sendo realizado, e mesmo às fazendas mais distantes”, explicou Andrea Marquez, da Bunge, multinacional presente em todas as regiões brasileiras. “A gente vai conseguir olhar o todo a não ser com a tecnologia, para evoluir e nos fortalecer como uma cadeia eficiente”.

Comunicação e transparência

As tecnologias aliadas a uma comunicação transparente são, para Andrea, fundamentais à gestão de empresas com base nas estratégias de ESG, assim como a governança, e ajudam a definir as responsabilidades e a desenhar as tomadas de decisões. “A comunicação da governança é essencial para que o resto da cadeia promova as mudanças necessárias e se adapte às novas demandas”, ressaltou a executiva da Bunge. 

Em grandes, médias ou pequenas empresas, assim como nas diversas propriedades rurais espalhadas pelo país, comunicar as métricas de governança é o primeiro passo para estabelecer ações mais sustentáveis. “Em uma grande empresa ou em uma startup, que é menor e tem menos pessoas, é tão importante que haja governança quanto em uma multinacional”, afirmou Mariana, da KPTL. “É um erro pensar que, porque uma empresa é pequena, ela pode crescer informalmente, sem se atentar à governança e à comunicação”. 

No Rabobank, Fabiana contou que a comunicação com os clientes, produtores rurais de todos os tamanhos, vem sendo trabalhada desde o início dos anos 2000, como um fator mais importante que a saúde financeira (área de atuação direta do banco). 

“Antes de avaliarmos o rating financeiro dos nossos clientes, priorizamos o rating de sustentabilidade e desde então, estabelecemos as metas de forma transparente, para que as propriedades de gestão familiar possam se adequar à nova realidade”. 

Para o banco, este trabalho tem sido fundamental porque envolve, também, as novas gerações. “Os sucessores dos negócios agrícolas brasileiros estão inseridos neste cenário”, disse.

Responsabilidade Social

Cuidar das pessoas acima de tudo também foi um dos destaques do painel. Para as multinacionais, a responsabilidade social deve ser um dos pilares mais fortes do negócio quando se trata da aplicação das estratégias ESG. 

“Sobretudo em um país como o Brasil, onde ainda existe gente passando fome, é fundamental que as empresas contribuam para que todos possam comer”, disse Andrea, completando:

Como empresa, nossas ações de responsabilidade social conseguem gerar impactos que também envolvem questões de educação e cultura em toda uma comunidade. São ações que promovem mudanças estruturais"

Para as startups, principalmente as agtechs, os cuidados sociais mesclam tecnologias e comunicação, os dois itens já citados como fundamentais para a implantação de ESG nas empresas. 

“As soluções tecnológicas desenvolvidas por essas startups podem abrir caminhos para que cada vez mais produtores rurais tenham conhecimentos para lidar em seu dia-a-dia, gerir suas propriedades de forma correta, minimizar os impactos, aumentar sua renda e, consequentemente, ter maior qualidade de vida e garantir a longevidade de seus empreendimentos”, concluiu Mariana. 

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Maurício Moraes

Maurício Moraes

Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

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Dirceu Ferreira Junior

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