Spire: Com o aquecimento global, a agricultura terá que ser orientada por dados

Fundada em 2012, a empresa americana construiu seu próprio programa espacial e tem hoje mais de 100 nano satélites na Órbita Baixa da Terra

Junho 17, 2021.

Por Marina Salles

A Spire Global — empresa americana que construiu seu programa espacial a partir de 2012 e tem hoje mais de 100 nano satélites na Órbita Baixa da Terra — defende que o aquecimento global mudou, em definitivo, a maneira como o agricultor pode orientar suas decisões. 

Em entrevista ao AgTech Garage News, Naziyah Mahmood, astrofísica e engenheira espacial da Spire Global, destaca que a prevenção e adaptabilidade aos efeitos das mudanças climáticas vão requerer uma melhor compreensão dos dados que giram em torno da atividade produtiva, para para permitir traçar a rota de ação ideal no presente e no futuro do desenvolvimento da agricultura.

AgTech Garage News: Que soluções a Spire oferece para o mercado agrícola?

Naziyah Mahmood: Os serviços de clima e inteligência da Terra da Spire têm cobertura global de vários parâmetros que são relevantes para a agricultura.

Nós fornecemos, por exemplo, informações sobre a temperatura da superfície terrestre, temperatura do ponto de orvalho, umidade específica, temperatura e umidade do solo (em profundidades que variam de 0 a 200 centímetros), fluxo de calor latente e radiação de ondas curtas e longas de entrada e saída.

Esses parâmetros, combinados com outras variáveis ​​climáticas, como precipitação e temperatura do ar, podem ser usados por empresas agrícolas que buscam otimizar, entre outras coisas, o desempenho das suas colheitas.

AgTech Garage News: E qual o diferencial da empresa? Além de fornecer dados, a Spire também tem sua própria constelação de satélites, sim?

Naziyah Mahmood: Sim, nós controlamos toda a cadeia de valor. Processamos nossos dados internamente e temos parceiros no lançamento dos nossos satélites. Com isso, conseguimos oferecer serviços de assinatura para conjuntos de dados e também acomodar softwares, carga útil e soluções de terceiros no espaço, o que é um dos nossos diferenciais.

A Spire Global foi fundada em 2012 para fornecer serviços baseados em satélite e melhorar a tomada de decisões comerciais e governamentais na Terra. Os fundadores construíram um programa espacial do zero que inclui o projeto, a fabricação e a operação de uma constelação em expansão de nanosatélites na Órbita Baixa da Terra (LEO, na sigla em ingles).

É essa constelação que nos permite, por exemplo, hospedar carga útil dos nossos clientes no espaço e oferecer softwares como serviço.

Como os satélites da Spire enxergam a Terra (Fonte: Spire)

Considerando que não é qualquer empresa que consegue enviar um satélite para a órbita, isto quer dizer que a Spire tem condições de atender a demandas específicas "as a service" (prestando um serviço) e colocar sistemas apartados do seu principal, que não afetam a operação-mãe, nos seus satélites, aproveitando o espaço disponível nesses equipamentos.

Desde a fundação, nosso centro de testes no Reino Unido já produziu mais de 110 espaçonaves e concluiu 28 campanhas de lançamento a bordo de nove tipos de veículos espaciais.

Se somarmos toda a experiência acumulada na prestação de serviços, já são mais de 300 anos de tradição em voos, com cerca de 150 clientes atendidos em diferentes canais de mercado.

AgTech Garage News: Diante de toda essa experiência, que tendências a Spire identifica para o uso de dados de satélite no mercado agrícola?

Naziyah Mahmood: O aquecimento global causou sérios danos ao nosso meio ambiente e o aumento gradual da temperatura global e desastres naturais associados a isso provaram ter impactos prejudiciais contínuos em quase todos os setores.

Também vemos isso sendo abordado como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que requerem atenção e esforço urgentes para mitigar mais danos à vida na Terra.

A aplicabilidade dos dados de satélite para a indústria agrícola se tornará mais proeminente conforme procuramos monitorar, analisar e explorar este ambiente em constante mudança. A prevenção e adaptabilidade às mudanças climáticas andam de mãos dadas e também requerem uma melhor compreensão dos números e dados para permitir a rota de ação ideal.

À medida que avançamos, podemos esperar ver mais iniciativas orientadas por dados tomando a linha de frente na abordagem de muitas questões mundiais, incluindo no setor agrícola, e isso por si só vai ampliar os limites das nossas capacidades espaciais.

Contatos

Maurício Moraes

Maurício Moraes

Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

Tel: 4004 8000

Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

COO do PwC Agtech Innovation e sócio, PwC Brasil

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