Dezembro 15, 2021.
Por Marina Salles
De olho na tendência de oferecer experiências cada vez mais completas para o produtor rural numa única plataforma, as agtechs mineiras Seedz e Atomic Agro uniram forças. Nesse casamento, a máquina de marketing de relacionamento da Seedz se soma ao aplicativo de planejamento de safra e engajamento do produtor rural da Atomic Agro, para se posicionarem como “a startup que mais conhece o produtor rural no Brasil e mais gera valor para ele”, segundo os sócios por detrás do acordo de aquisição da Atomic Agro pela Seedz.
“Enquanto que a Atomic começou seu caminho dentro da porteira, atendendo o pequeno e médio agricultor, a Seedz começou sua jornada fora da porteira, chegando no agricultor de todos os tamanhos por meio de seus programas de relacionamento. E nossas bases têm sinergias, usuários comuns e novos usuários, o que complementa e fortalece a relação de ambas as plataformas. Daqui para frente, o objetivo é participar com mais intensidade da jornada desse agricultor”, afirma Matheus Ganem, co-fundador e CEO da Seedz.
“Tem muita gente boa fazendo um pedacinho do que o produtor rural precisa aqui e ali, e a razão de optarmos pelo M&A é o objetivo comum de montar um guarda-chuva que abrace algo maior”, resume Bruno Matozo, CEO e co-fundador da Atomic Agro.
Até aqui, a Atomic Agro, sozinha, tinha 8 mil produtores ativos no seu aplicativo, planejando safra, trocando informações sobre preços de produtos, produtividade de sementes e consumindo notícias. Ao passo que a Seedz contava com 15 mil usuários, 900 empresas cadastradas e 400 pontos de vendas participando dos seus programas de fidelidade, entre eles revendas de insumos, cooperativas, indústrias e concessionárias de máquinas e implementos.
Com modelo de negócios B2B e B2B2F (business to business to farmer), as duas startups têm potencial de alcançar juntas um público de 150 mil clientes no curto prazo somente no Brasil, contando as empresas e produtores que já atendem e os clientes dos seus clientes, que podem ser atraídos pela nova proposta de valor.
Ganem reforça que, hoje, a Atomic está muito presente no planejamento da safra do agricultor e que a Seedz interage com ele no momento transacional, da compra dos insumos, de uma máquina. Uma vez unidas, a ideia é proporcionar uma experiência completa na ponta. Nos bastidores, a busca por sinergias já começou. Num recorte de 2 milhões de hectares de terras dos produtores de soja que fazem seu planejamento de safra via Atomic Agro, por exemplo, a Seedz identificou a oportunidade de girar R$ 10 bilhões por ano em vendas de insumos.
“Percebemos um match muito grande entre o que a gente queria fazer de forma independente e o que vamos fazer juntos”, diz Rodrigo Fajardo, Diretor de Estratégia da Seedz. E, para concretizar os novos planos, o time passa a contar com 120 pessoas, 100 vindas da Seedz e outras 20 da Atomic Agro — que por enquanto manterão seus nomes originais e escritórios físicos, respectivamente, em Belo Horizonte e Uberlândia. “Serão dois espaços de uma mesma empresa”, explica Fajardo.
Rodrigo Fajardo, Diretor de Estratégia
Lado a lado, as duas startups têm testado sinergias e combinado operações. Ainda no ano que vem, a meta é identificar as necessidades do produtor que ambas suprem até aqui e planejar novos desenvolvimentos dentro da máxima de que “duas cabeças pensam melhor do que uma”. “Vamos mapear novos serviços e produtos para construirmos em conjunto e entregarmos uma experiência única para o produtor rural e as empresas do agronegócio”, diz o Diretor de Estratégia.
Com um aporte recém recebido, a Seedz terá a oportunidade de contar com a Atomic Agro no desafio de aumentar sua conexão com o produtor rural, uma das avenidas de crescimento desenhadas com a Volpe Capital; 10b, integrante da holding Sk Tarpon; The Yield Lab e Tridon Participações (fundo independente da família Nishimura, fundadores do Grupo Jacto), investidores em sua última rodada em outubro de 2021.
A nova empresa, que nasce da fusão, também investirá pesado na expansão do seu negócio de fidelidade e tem planos de ir para outros países da América Latina, começando pelo México, Argentina e Paraguai. Sem entrar em detalhes, Fajardo revela que, em breve, a empresa anunciará também parcerias estratégicas para realizar pilotos na área de crédito.
Do lado da Atomic, os investidores da Bee Cap — Bernardo Carneiro, Luciano Camargo Neves e Cláudio Brandão Silveira — também passam a fazer parte do quadro de sócios do novo negócio.
“Existe um mundo de possibilidades para a nossa atuação conjunta, sempre focada em gerar valor de forma transparente para o produtor rural”, atesta Fajardo. Com esse norte muito claro, a ideia é acompanhar o cliente de ponta a ponta, partindo do planejamento de safra, passando à pesquisa de produtos, decisão de compra, cashback com a moeda seedz dentro de um programa de fidelidade e resgate de produtos e serviços. E este é só o começo dos trabalhos para alcançar a meta ambiciosa de ser, sem sombra de dúvida, a startup que mais conhece o produtor rural e mais gera valor para ele no Brasil e quizá no mundo.