PwC: ESG traz novas oportunidades para a inovação aberta no agronegócio

Conexão entre iniciativas de ESG, inovação e digitalização pode ser a ponte para atingir novos mercados e criar novos produtos

Junho 15, 2021.

Por Marina Salles

Depois da sustentabilidade, a sigla ESG, em inglês, para “environmental, social and governance” (ou ambiental, social e de governança, em português) é a nova megatendência associada ao agro. E em um contexto acelerado pelas mudanças climáticas, a pandemia e o universo digital, a inovação aberta tem mostrado ser um dos caminhos para colocar a agenda do ESG no agronegócio em prática, na visão de especialistas da firma de consultoria e auditoria PwC Brasil.

“Honestamente, eu vejo hoje todas as organizações do agronegócio com que eu tenho contato olhando para startups, participando do ecossistema e trazendo para dentro de casa projetos de desenvolvimento conjunto. Isso já evoluiu muito e, agora, com um olhar ainda maior para a redução de custos e a questão ambiental”, afirma Maurício Moraes, sócio e líder de Agronegócios da PwC Brasil.

Conforme a pesquisa Anual Global de CEOs 2021 da PwC, a transformação digital é a prioridade das empresas do país para os investimentos de longo prazo em consequência da crise da covid-19. Seguida: da liderança e desenvolvimento de talentos; segurança cibernética e privacidade de dados; iniciativas para alcançar eficiência de custos; P&D para inovação em produtos e sustentabilidade e iniciativas de ESG. 

Fonte: Pesquisa Anual Global de CEOs 2021 da PwC.

Um TOP 6 com muitas sinergias, na visão de Maurício Colombari, sócio e líder de ESG da PwC Brasil. “Está faltando às empresas não só de agro, mas no geral, fazer a conexão entre o que ESG, inovação e digitalização, que podem ser a ponte para atingir novos mercados e criar novos produtos. Quando se fala em ESG, as pessoas olham muito  pelo viés do risco e não de oportunidade, o que pode ser um erro”, avalia Colombari.

Em um mundo cada vez mais conectado — em que empresas, startups e universidades podem trabalhar juntas para transformar a cadeia de forma mais rápida e eficiente — Colombari considera que as corporações precisam enxergar que ter produtos mais sustentáveis e que atendam, por exemplo, a regulamentações sanitárias mais exigentes é uma forma de ganharem competitividade no mercado internacional. 

A trilha do ESG no agronegócio

Em outro estudo, intitulado “A Importância da agenda ESG no agronegócio”, a PwC destaca como as empresas podem aproveitar a janela de oportunidades que se abre com a agenda ESG e que requer uma mudança cultural importante, que envolve acionistas e lideranças executivas de todas as áreas da organização. 

Conforme a firma de consultoria e auditoria, vale a pena tomar como ações:

  • Engajar os acionistas em reflexões sobre oportunidades e desafios
  • Assumir o modelo de “jornada”, que deve respeitar os valores da empresa  e a velocidade esperada para alcançar os objetivos
  • Identificar os riscos críticos – que podem limitar o alcance dos objetivos de curto e médio prazos – e responder rapidamente
  • Além de respeitar a cultura da confiança nas pessoas, por meio de um plano de treinamento para incluir os colaboradores que ajudaram a construir a história da organização

Para Maurício Colombari, é questão de tempo até que as sinergias entre a inovação e as iniciativas de ESG fiquem mais claras e os dois lados colham os frutos dessa interconexão. 

Nesse sentido, para os especialistas, as tecnologias digitais (Internet das Coisas, blockchain, sensores, drones), os insumos biológicos, a agricultura de precisão e práticas de manejo, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o plantio direto e a rotação de culturas, serão fundamentais para permitir que o agronegócio alcance um novo patamar de produção e sustentabilidade.

Comunicando as ações ambientais inovadoras

Com os avanços do lado produtivo acontecendo, outro grande desafio é comunicar as ações para além da porteira, afirma Moraes. Segundo a pesquisa Anual Global de CEOs 2021 da PwC, 47% dos líderes brasileiros de agronegócios acreditam que suas empresas precisam fazer mais para divulgar seu impacto ambiental, ante 39% dos líderes de outros segmentos.

O cenário reflete o aumento significativo da pressão, principalmente internacional, sobre as cadeias do agronegócio no Brasil — incluindo a soja, carne e madeira — e sinaliza para a urgência do setor conquistar a confiança dos stakeholders e da sociedade.

“O produtor está investindo em ações ambientais e sociais, otimizando a aplicação de insumos na lavoura, levando escola para onde não tinha escola. Mas como ele deixa transparecer isso sem ser só em um relatório de 40 páginas? Ele precisa discutir essas informações com a sociedade. A mídia é um mecanismo e será preciso encontrar outras formas de difundir essa mensagem”, diz Maurício Moraes.

O desejo de receber esses dados todos já existe e está patente. Segundo pesquisa ampla realizada pela PwC em 2020, 47% dos respondentes consideram o acesso às informações de ESG tão importantes quanto às informações financeiras de qualquer empresa.

Contatos

Maurício Moraes

Maurício Moraes

Sócio e líder do setor de Agribusiness, PwC Brasil

Tel: 4004 8000

Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

COO do PwC Agtech Innovation e sócio, PwC Brasil

Tel: 4004 8000

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