Agosto 27, 2021
Por Viviane Taguchi
Um dos maiores desafios da agricultura moderna (ou agricultura 5.0) é o gerenciamento de uma enorme quantidade de dados e o uso dessas informações geradas pelas tecnologias para atender demandas específicas do campo.
Essa foi a principal conclusão dos especialistas que participaram do painel “Transformando dados em alimentos: a aplicação de big data analytcs no agronegócio”, que aconteceu durante o AgTech Meeting.
Participaram do painel Rodrigo Bonatto, diretor de soluções inteligentes do Grupo John Deere, Mony Belon, coordenadora de estratégias para a América Latina da OCP, e Abrão Kulaif, CPO da Shooju. O debate teve a mediação de Henrique Provenzzano, gestor de comunidade do AgTech Garage.
O grande volume de dados gerados pelas tecnologias disponíveis no agronegócio vem despertando, cada vez mais, o interesse de empresas – de tradicionais multinacionais às agtechs – e consultorias que atuam no setor. O foco é produzir alimentos de forma sustentável utilizando as tecnologias disponíveis para atingir este objetivo.
No entanto, ainda existem demandas que precisam ser aperfeiçoadas quando o assunto é Big Data. “O volume de dados coletados é imenso no agronegócio, mas para que estes dados possam ser utilizados com eficiência, cabe às empresas interpretá-los e oferecer uma resposta simples e de fácil acesso aos agricultores”, disse Rodrigo Bonatto, da John Deere.
Segundo o executivo, com as tecnologias disponíveis hoje em dia, uma única fazenda é capaz de gerar até 70 terabytes de dados entre uma safra e outra. Esse volume de informações, há 20 anos, somava toda a operação de internet do Brasil. “Então, é preciso analisar estes dados e interpretá-los para entregar as respostas prontas e certas”, ressaltou.
Mony Belon, da OCP, que atua na área de fertilizantes há mais de um século, reforçou a necessidade do trabalho em conjunto entre as empresas do setor para a elaboração dessas respostas assertivas. “O número de dados coletados ao longo do tempo é imenso e os dados são infinitos”, afirmou.
“Nós podemos buscar inúmeras aplicações para esses algoritmos, que fazem parte de todo o ecossistema do agronegócio, em conjunto”, disse Mony.
Esse tem sido o melhor caminho apontado, segundo Abrão Kulaif, da Shooju, para agregar valor aos algoritmos gerados pelas tecnologias digitais e fazer dos dados um produto monetizado no futuro. “Para que a gente obtenha respostas através da inteligência artificial, os dados precisam estar estruturados e aplicados”, disse.
Outro tema bastante ressaltado durante a discussão foi em relação a segurança das informações. Bonatto lembrou que os dados pertencem aos agricultores e somente eles podem permitir às empresas utilizar as informações para, então, gerar soluções, tornando-as públicas ou não. “Os dados não são das empresas, são de propriedade do cliente”.
De acordo com os convidados, é preciso que exista uma cartilha de boas práticas também quando o assunto é Big Data: manter o sigilo das informações, respeitar os consentimentos oferecidos pelos agricultores.
“A regulação ajudou a educar o uso de dados para atender a demanda do agronegócio e foi essencial para que nós, como empresas, possamos proteger as informações de forma responsável e com o respaldo da lei”, complementou Mony.
Para Kulaif, o tema é super importante e ainda deve ser aperfeiçoado. “Segurança é um tema caro para todos nós e é bom que a discussão venha à tona”, disse. “O produtor rural brasileiro é jovem [a média de idade é de 36 anos, enquanto a média de idade do produtor americano é 48 anos e do europeu, 60 anos] e tem um perfil que já está engajado com processos digitais, incluindo a segurança. Profissionalmente, o setor também está atraindo cada vez mais profissionais de áreas de tecnologia que ajudam na cultura de preservação de dados”.