Agosto 11, 2021
Por Marina Salles
Os investidores ao redor do mundo estão mais atentos do que nunca às tecnologias "farm tech"— voltadas especificamente ao produtor rural, a exemplo de novos insumos agrícolas, máquinas, dispositivos, softwares, ferramentas de análises a campo e logística.
É o que mostra o relatório AgFunder Farm Tech 2021, que aponta crescimento de 41% nos investimentos nesta frente, com a captação de US$ 7,9 bilhões no ano passado. Em número de deals, a alta foi de 20%, para 1.154 negócios fechados. No setor de ag&foodtech, comparativamente, o crescimento estimado é de 34,5% no bolo de investimentos no mesmo período, para US$ 30 bilhões, com mais de 3 mil deals.
No Brasil, as farm techs receberam US$ 67 milhões no total, mediante 18 negócios fechados em 2020, o que colocou o país em 11° na lista de recebimento de aportes. O relatório destacou, sem citar valores, a compra da Geocom pela Koppert entre os principais deals no país. A startup de Lençóis Paulista (SP) atua no ramo de controle biológico com a liberação de insetos por meio de drones.
No mundo, as startups de biotecnologia, com insumos agrícolas e pecuários inovadores, lideraram o ranking de captações (23% do total); seguidas pelas farm techs de novos sistemas produtivos, que incluem fazendas verticais, produção de insetos e algas (que ficaram com outros 23%) e dos marketplaces de venda de insumos, máquinas e commodities (16%).
Os softwares de gerenciamento de fazendas, tecnologias IoT e dispositivos de captura de dados para apoio na tomada de decisão do produtor ocuparam a quarta colocação (13%) e as plataformas que conectam os produtores aos consumidores finais conquistaram o quinto lugar (9% dos investimentos).
As startups de biotecnologia ficaram com o maior montante de investimentos, mais de 23% do total (Crédito: AgFunder)
De todos os aportes, o maior entre as farm techs foi levantado pela Indigo, no valor de US$ 360 milhões em agosto de 2020 e liderado pelo Alaska Permanent Fund e a Flagship Pioneering, na sequência de um investimento de US$ 200 milhões recebido em janeiro do mesmo ano pela startup.
A americana Indigo trabalha com cinco frentes de negócios: um marketplace de commodities agrícolas, um de carbono, uma plataforma de crédito e tratamentos de sementes e produtos biológicos para soja e milho. No Brasil, o marketplace de commodities estreou esse ano e a empresa já opera também com a oferta de crédito e produtos biológicos.
Na segunda posição, a americana Farmers Business Network, rede formada por produtores para troca de informações em 2014, e que hoje conta com um marketplace de insumos, levantou US$ 250 milhões em rodada de série F liderada por fundos e contas gerenciadas pela BlackRock.
Os EUA ainda concentraram 83% dos investimentos em farm techs em 2020 (Crédito: AgFunder)
Enquanto isso, a chinesa XAG garantiu a terceira colocação na maior rodada de investimentos em uma startup de drones agrícolas e levou para casa US$ 182 milhões da Baidu Capital e do Softbank Vision Fundo 2.
O quarto maior investimento foi conquistado pela francesa Ÿnsect, que recebeu US$ 222 milhões, para ajudar a financiar a maior fazenda de produção de insetos do mundo em Amiens, na França, com previsão para abrir as portas já em 2022.
Entre as startups de biotecnologia, o destaque ficou por conta da americana Benson Hill, que quer ser como um GPS para melhoristas de plantas desenvolverem novas tecnologias mais rápido e de forma mais eficiente. No ano passado, a Benson Hill levantou US$ 150 milhões em uma rodada de Série D liderada pelo Wheatsheaf Group e GV (anteriormente Google Ventures). Conforme a startup, embora a natureza conte com mais de 30 mil espécies de plantas, nós, seres humanos, demandamos apenas três delas para suprir 50% da nossa necessidade diária de proteínas e calorias e levamos 15 anos, em média, para desenvolver variedades geneticamente mais produtivas.
Agora, por meio da plataforma CropOS e com tecnologias de Data, Plant and Crop Science, a Benson Hill está acelerando e embutindo no processo de seleção características nutricionais, de economia de água, conservação de energia, sequestro de carbono e manutenção de sabores. Para acelerar ainda mais o ciclo, as novas variedades são cultivadas em ambientes internos, onde é possível emular as condições ideais de campo e conseguir até quatro safras por ano de soja.