Julho 13, 2021
Falta de estrutura nas fazendas e de entendimento sobre como novas soluções podem ser utilizadas no campo são alguns dos entraves para uma maior adoção de tecnologia pelo produtor rural, segundo pesquisa recente da consultoria McKinsey. A fim de ajudar a solucionar esses gargalos, a multinacional de saúde e nutrição Bayer se uniu ao nosso hub de inovação AgTech Garage, por meio do programa For Farmers, para levar conhecimento e soluções inovadoras a um grupo de produtores de uva no Nordeste, na região do Vale do São Francisco. Também participam da iniciativa o hub de inovação da Bayer, LifeHub SP, e a plataforma de agricultura digital da empresa, Climate FieldView.
Com duração de um ano, o programa é organizado em torno de encontros mensais em que são apresentadas soluções inovadoras aos produtores para contribuir e fomentar uma maior produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.
A programação inclui interações dos agricultores com especialistas, o aprofundamento dos conhecimentos sobre conceitos da inovação, o contato com ferramentas que impulsionam a sustentabilidade e rentabilidade da lavoura, como a Climate FieldView, e a aproximação com diversas startups.
Para Fernanda Eduardo, Gerente de Digital & Inovação do LifeHub, o programa é uma oportunidade de fomentar e impulsionar a transformação digital de empresas do agro distantes dos grandes polos e contribui para a missão da Bayer de pensar a inovação de forma colaborativa. "A Bayer carrega consigo o compromisso de promover a ‘Saúde para Todos e Fome para Ninguém’ e acreditamos que, integrado aos nossos três pilares estratégicos (pessoas, inovação aberta e sustentabilidade, podemos alcançar sucesso neste objetivo", diz a executiva.
Ainda segundo Fernanda, as soluções oferecidas pela Bayer são voltadas para atender as necessidades de propriedades rurais, seja de grande, médio ou pequeno porte. "Este projeto é uma nova maneira da Bayer de se conectar com o produtor rural para trabalharmos juntos novas formas de elevar o potencial produtivo da região do Vale do São Francisco, que já é imenso", complementa.
O Vale do São Francisco, no Nordeste, é um dos maiores polos da fruticultura no Brasil (Crédito: Agrivale)
Os encontros mensais permitem que os próprios produtores discutam quais dores têm em comum para, em seguida, mapear novas formas de resolvê-las, de acordo com José Tomé, CEO do AgTech Garage.
"A intenção é que seja um projeto contínuo, na medida em que startups e produtores vão interagindo e evoluindo com as soluções. O For Farmers busca proporcionar a diferentes grupos de produtores uma experiência única de relacionamento com o ecossistema de inovação e empreendedorismo por meio de encontros recorrentes com essas startups", afirma Tomé.
Das startups criteriosamente selecionadas pelo AgTech Garage para interagir com cada grupo, apenas as que passam também no crivo dos produtores chegam à etapa de testes nas fazendas.
A produção de uvas na região do Vale do São Francisco teve início nos anos 1960. Desde então, a região tem se tornado referência tanto no Brasil quanto em outros países. Apesar disso, por estarem distantes de grandes polos de inovação, produtores da região nem sempre são o alvo prioritário da atenção de empresas que disponibilizam tecnologias para o setor.
"Por ser uma atividade com pequenas propriedades quando comparada com grandes cultivos, somos pouco enxergados", relata Eliemerson Freitas, gerente de produção da Agrivale, produtor de 12 variedades de uva em 330 hectares no Vale do São Francisco que integra o primeiro grupo do For Farmers, junto com mais quatro fruticultores da região.
O Vale do São Francisco é uma das regiões brasileiras que mais produz e exporta uva e manga. A exportação das duas frutas teve uma alta de 17,93% no primeiro trimestre de 2021, ante ao mesmo período de 2020, segundo dados da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport). No entanto, a fruticultura na região ainda é muito artesanal.
"O Brasil, como grande produtor agrícola que é, anda lado a lado com a tecnologia. Porém, quando falamos de produção de uvas, isso não é tão forte assim. Há uma necessidade evidente de uma maior adoção de soluções tecnológicas para otimizar nossos processos e é isso que procuramos aprimorar ao fazer parte do programa", diz Freitas.
A expectativa é que os encontros tragam soluções que aumentem a velocidade na tomada de decisões nas fazendas dos fruticultores. "Esperamos uma melhoria em nossos processos e um bom suporte na tomada de decisão, pois com uma adesão maior de tecnologias conseguimos analisar variáveis invisíveis a olho nu. Hoje é tudo muito dinâmico, então quanto mais rápido tivermos acesso a uma informação, mais conseguimos minimizar perdas e maximizar resultados", acrescenta o produtor.
Crédito da foto principal: Agrivale.